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Para
escolher sua moto – caso ainda não tenha uma –, a
primeira pergunta a ser feita é: “Para que eu quero uma
moto?”. Pode parecer uma bobagem muito grande, mas essa perguntinha
prosaica pode evitar muitos erros. Por exemplo, se a intenção
é usá-la como meio de transporte diário, para se
deslocar no trânsito intenso, sem pretensões aventureiras
nas longas estradas, uma moto de baixa cilindrada (entre 115 e 300 cc),
pequena e confortável pode ser uma solução. Ou
mesmo um scooter, veículos cada vez mais aperfeiçoados,
confortáveis, versáteis e econômicos.
Por
outro lado, se o plano é utilizá-la como meio de transporte,
mas também fazer viagens, acompanhado de garupa, a melhor pedida
é uma moto média ou grande (entre 400 e 1.000 cc).
Para
aqueles que gostam de pegar estradas de terra, as motos recomendadas
são as de uso misto cidade-campo. Já os motociclistas
de espírito esportivo, as superesportivas são as indicadas.
Enfim, os chamados românticos, que veem na moto um objeto de lazer
puro e ainda têm um leve espírito de rebeldia ao estilo
Easy Rider, as motos custom são a melhor opção.
Nessa
escolha devem ser levadas em conta as dimensões do motociclista.
Não adianta sonhar com uma moto grande e pesada, se as dimensões
do motociclista forem pequenas e leves. Ao escolher uma moto, ela deve
servir como uma luva, não pode ficar nem larga, nem apertada.
Um motociclista de baixa estatura pode não agüentar o peso
da moto e gastar um bom dinheiro em manetes e funilaria do tanque.
As
principais categorias de motos são:
On
ou off
As
chamadas motos de uso misto, ou trail, on-off road, fazem muito sucesso
pela sua versatilidade. São correspondentes aos automóveis
chamados de SUV – Sport Utility Vehicle. As principais características
das motos on-off são:
Maior
curso de suspensão, o que permite rodar em estradas de terra,
ou de asfalto detonado, sem massacrar a coluna do motociclista.
Maior
distância entre banco e solo e grande vão livre ao solo.
Ou seja, elas são altas, o que combina com motociclistas com
mais de 1,85 m.
O
guidão largo e a roda dianteira de maior diâmetro (19 ou
21 polegadas) facilitam a pilotagem em baixa velocidade e pisos irregulares.
Grande
distância entre as pedaleiras e o banco. Ótimo para pilotos
altos e muito bom para quem vai na garupa, porque pode se posicionar
com as pernas menos dobradas.
Mas
também tem suas características negativas:
Pneus
com câmara, menos seguros em caso de perfurações.
Motor
geralmente monocilíndrico, que emite mais vibração
e ruído.
Desempenho
limitado.
Geralmente
têm o pára-lama dianteiro alto, que gera mais arrasto aerodinâmico.
Falta
de proteção aerodinâmica (carenagem, pára-brisa)
.
Fun-bike
Nos
anos 1990 surgiu uma nova categoria de moto, inaugurada pela BMW F 650GS
e batizada de fun-bike, algo como “moto-divertida”. Esta
categoria revelou-se muito interessante e rapidamente ganhou adeptos
e variações sobre o tema. Trata-se de uma mistura entre
uso misto e esportivo. Ou seja, aparentemente ela tem características
de fora-de-estrada (guidão largo, suspensões de curso
longo, banco largo), mas os pneus são de desenho esportivo, a
roda dianteira é de 19 ou 17 polegadas e pequeno vão livre
do solo. Tem as vantagens da versatilidade de uma trail com as vantagens
de uma esportiva. Em suma, é praticamente uma moto dois-em-um.
Utilitárias
São
aquelas pequenas motos entre 100 e 150cc que normalmente estão
debaixo de um moto-boy. Geralmente são utilizadas dentro de perímetro
urbano, embora tenha visto alguns motociclistas que rodaram o Brasil
inteiro nestas pequenas e valentes utilitárias. São muito
práticas na cidade e extremamente econômicas, chegando
a fazer, facilmente, mais de 30 km com um litro de gasolina. No entanto
têm uma grande desvantagem: são muito visadas por ladrões.
Como são as mais vendidas – representam mais de 80% do
mercado – são alvo de muitos roubos, furtos e assaltos.
Custom
Representam
o sonho de consumo da maioria dos motociclistas acima dos 40 anos e
alguns poucos jovens também. Sua principal representante é
a Harley-Davidson, ícone americano que inspirou esta categoria
de motos, hoje dominada pelos japoneses. Elas passam uma impressão
de motos antigas, clássicas, sem preocupações com
baixo peso e alto rendimento. O importante é dar ao motociclista
a sensação de uma grande poltrona sobre duas rodas. Elas
têm grande distância entre-eixos, o que as deixam péssimas
de se fazer curvas, mas muito estáveis nas retas.
O
principal na custom é representar um estilo de vida. O mais interessante
é que este estilo de vida tem muito charme por misturar antigo
com moderno. Mas verdade seja dita, somente as motos de grande cilindrada
(acima de 1.000) conseguem proporcionar algum conforto, porque as pequenas
têm menor curso de suspensão, o que acaba sacrificando
a coluna do motociclista. Quanto à posição de pilotagem,
se as pedaleiras estiverem muito avançadas (pra frente), o piloto
ficará mais vulnerável às irregularidades do solo,
porque a resultante do impacto na suspensão segue diretamente
para o traseiro do piloto!
Esportiva
Fica
entre 600 e 1.000cc e se caracterizam por alta potência (entre
120 e 200 cv). São ótimas para curtir track-days em autódromos,
mas horríveis para rodar na cidade, especialmente no trânsito
porque o motor aquece muito. São extremamente prazerosas nas
estradas cheias de curvas. Mas pelo alto desempenho – chegam a
passar de 300 km/h – podem levar motociclistas novatos à
tentação de correr demais onde não deve. Também
são péssimas para levar garupa, aliás, a bem da
verdade, motos esportivas NÃO foram feitas para levar ninguém
na garupa!
Existem
ainda outras subcategorias que vamos especificar em outras oportunidades.
Antes
de se decidir por um modelo é sempre conveniente dar uma voltinha.
Comprar “no escuro” pode trazer muitos aborrecimentos. A
primeira lição é: jamais compre uma moto usada
sem conhecimento de causa. Se o leitor for do tipo que anda de calculadora
debaixo do braço, é bom reservar um dinheirinho extra
para o pós-compra. A saber: licenciamento (no caso de moto nova),
seguro e as tralhas que acompanham a vida de um motociclista (leia-se,
equipamentos como capacete, luvas, botas, casaco, calça etc.)