persistência
no tempo dessas características de comportamento.
Este transtorno tem sua origem sempre nos primeiros cinco anos de vida.
Sendo suas principais características: a falta de persistência
em atividades que requeiram envolvimento cognitivo e uma tendência
a mudar de uma atividade para outra sem concluir nenhuma, junto com
uma atividade excessiva, desorganizada e mal controlada.
Essas
características persistem através dos anos escolares e
até mesmo na vida adulta. Várias outras anormalidades
podem estar associadas a esse transtorno, tendo em vista que crianças
hiperativas são assiduamente imprudentes e impulsivas, propensas
a acidentes e incorrem em problemas disciplinares por infrações
não premeditadas. Seu relacionamento com adultos é, com
freqüência, socialmente desinibido, com uma falta da precaução
e reserva normais; são impopulares com outras crianças
e podem-se tornar isoladas.
É
comum o comprometimento cognitivo e atrasos específicos do desenvolvimento
motor e da linguagem; complicações secundárias
incluindo comportamento anti-social e baixa auto-estima. Sendo comum
a essa síndrome, a dificuldade de leitura associada e/ou outros
problemas escolares. A atenção comprometida é manifestada
por interromper tarefas prematuramente e por deixar atividades inacabadas,
em decorrência de constante mudança de uma atividade para
outra, parecendo perder o interesse em uma tarefa, porque as crianças
se distraem com outras. No processo diagnóstico, é importante
estar atento para esses déficits na atenção, devendo
a mesma ser compatível com a idade e desenvolvimento da criança.
A
falta de terminologia adequada entre as duas classificações
aceitas atualmente, a denominação de Transtorno do Déficit
de Atenção (DSM-IV), compreende uma série de problemas
em crianças, que antes eram diagnosticadas como hiperativas,
hipercinéticas, Lesão Cerebral Mínima ou Disfunção
Cerebral Mínima. O termo hiperatividade tem induzido a erros,
pois tem sido utilizado como sinônimo de “incapacidade de
aprendizagem”, e muitas crianças com esta síndrome
estariam impossibilitadas de aprender, por outro lado, outras crianças
com dificuldades de aprendizagem não são hiperativas.
A
maior limitação encontrada nos esquemas diagnósticos
atuais é a falta de critérios operacionais que sejam aceitos
universalmente. Apesar dos critérios incluírem sintomas
comportamentais específicos, ainda há necessidade de um
julgamento clínico subjetivo, no sentido de decidir se tal comportamento
pode ser qualificado como um sintoma ou sinal diagnóstico ou
se o conjunto de comportamentos aberrantes encontrado, é suficientemente
importante em nível funcional para ser considerado como uma entidade
nosológica.
As
crianças com TDAH, geralmente, apresentam sintomas associados
que não são essenciais para o diagnóstico. Podem
fazer parte destes sintomas anormalidades no desenvolvimento motor,
distúrbios da coordenação motora, tiques, distúrbios
do aprendizado, atrasos no desenvolvimento da linguagem ou fala, distúrbios
do sono, enurese, encoprese, imaturidade emocional, desorganização,
dificuldades na interação social, negativismo, distúrbios
emocionais e comportamentos anti-sociais.
Quando,
através de sua conduta, a criança demonstra para seus
pais que alguma coisa difere das demais, a trajetória destes
é, primeiramente, o consultório do pediatra. E partindo
dessa procura aos profissionais, é de suma importância
que estes utilizem instrumentos objetivos, cujas medidas sejam válidas
e precisas, de maneira que permitam estabelecer critérios claros
para o diagnóstico da Hiperatividade Infantil, pois, partindo
da utilização de um instrumento deste tipo, ele poderá
decidir sobre a necessidade de procurar ou não um especialista
da área. A evolução diagnóstica é
realizada através da história clínica pelos pais,
familiares mais próximos e professores, exames neurológicos,
provas psicolólgicas, exame físico e EEG. Um dos dados
principais da evolução da criança é a informação
dada pelos professores sobre os problemas acadêmicos e o comportamento
na escola. Através da Anamnese, a mãe relata que a criança
é muito viva, ativa e exigente, com intensas respostas emocionais
e problemas com a alimentação e o sono, nos primeiros
meses de vida, apresentando dificuldades para manter-se quieta na cama
e estabelecer seu ritmo de atividade diurno.
Convém
salientar que na escola estas crianças apresentam problemas na
organização acadêmica, na escrita ou leitura. Dificuldades
nos exercícios escolares e a própria dificuldade de manter
uma relação de amizade com as demais crianças de
sua idade. Essas queixas são as mais relevantes, apontadas tanto
pelas professoras e os pais.
No
tocante as atividades escolares, as crianças portadoras de TDAH
apresentam como sintoma central a dificuldade na manutenção
da atenção, implicando realização de várias
tarefas ao mesmo tempo e sem terminar nenhuma delas. Em classe, não
respondem às perguntas feitas pela professora e recusam participar
das atividades didáticas. No recreio não sabem obedecer
às normas dos jogos e nem perder. Falam todas ao mesmo tempo,
não conseguem esperar sua vez, são bastante prepotentes
e mandonas, acarretando para essas crianças um limite muito baixo
de frustração.
Durante
anos, com a constante modificação terminológica
sofrida por essa patologia, os TDAH tiveram, como principal impasse,
a elaboração de instrumentos para sua avaliação.
Uma vez que, para o diagnóstico preciso destes é necessário
que o pesquisador ou clínico informe-se detalhadamente sobre
a conduta da criança, quer dizer, sugere-se o uso de instrumentos
que permitam quantificá-la, levá-la a critérios
operacionais. Estas condutas, entretanto, não podem ser situacionais,
resultado de um determinado ambiente, sob pena de enviesar o diagnóstico,
elas devem ser, necessariamente, massivas.
Entre
os instrumentos mais utilizados para rastrear a sintomatologia dos Transtornos
Hipercinéticos, destacamos o Questionário Abreviado de
Conners para Pais e Professores. Este foi construído e validado
na Austrália em 1969 por CONNERS, e logo adaptado para outros
países, com ampla difusão. No Brasil, o questionário
foi validado em 1997 por BARBOSA, DIAS e GAIÃO.
Assim,
gostaríamos de mais uma vez, salientar a importância de
intervirmos o quanto antes com as crianças hiperativas, pois
só assim, estaremos deixando a nossa contribuição
no sentido de alertar os profissionais que lidam com essas crianças,
e para que possam ter subsídios para melhor realizarem suas atividades
clínicas, psicopedagógicas e acadêmicas. Com isso,
conseqüentemente, a criança e seus familiares estarão
sendo os mais beneficiados. Destacamos também, o quão
é importante as medidas preventivas e necessário, a informação
a respeito da nosografia, a etiologia e a prevenção destes
transtornos que acometem as crianças, dificultando sua aprendizagem
e a sua relação psicoafetiva.
O
educador desempenha, a nosso ver, um papel primordial, pois de suas
informações dependerão um melhor rastreamento da
sintomatologia apresentada em classe e na própria escola. É
ele quem vê, conhece e observa as crianças. Os demais profissionais
somente intervêm na criança. Poderíamos aqui destacar
alguns fatores que observamos nestas crianças, partindo das informações
das professoras. Entre eles temos: isolamento familiar, ausência
dos pais por trabalharem, a pobreza e a dificuldade de identificação
com o mesmo sexo (pai ou mãe), choro, desorganização
nas tarefas, agressividade.
Chamamos
atenção, também, para os erros educativos que,
sobremaneira, podem estimular ou desenvolver na criança uma conduta
hiperativa. A educação muito imperativa e autoritária,
a educação discordante, impulsiva e a carência educativa,
adicionando-se aos maus exemplos dos professores e dos próprios
pais são, sem sombra de dúvidas, fatores de risco que
implicam um mau rendimento escolar.
Adriana Gaião e Barbosa
Psicóloga Clínica Infantil e Escolar